Jacinto João, o eterno “Jota” de Setúbal.

Jacinto João, o eterno “Jota” de Setúbal.

São várias as lendas do Vitória Futebol Clube, que brilharam à beira-Sado, mas só uma tem uma estátua à porta do Estádio do Bonfim, Jacinto João, o “Jota” como era carinhosamente conhecido em Setúbal.

Jacinto João nasceu em Luanda (Angola) e cedo se destacou pelos dotes futebolísticos, estreando-se com apenas 14 anos no Benfica do Congo, uma filial dos encarnados, tendo posteriormente rumado ao Atlético de Luanda e aos 19, aterrava em Portugal, para defender o clube da Luz. Sem espaço no Benfica, conseguiu apenas uns jogos pelas reservas dos encarnados, regressando ao fim de cinco meses a Angola para jogar num Futebol Clube Luanda, uma filial do Futebol Clube do Porto.

É em 1965 que Jacinto João chega finalmente a Setúbal, dando início a um percurso de 14 anos que coincide com o melhor período da história dos sadinos. Sob a liderança de treinadores como Fernando Vaz e José Maria Pedroto, a turma do Bonfim consegue conquistar uma Taça de Portugal, em 1967, com Jacinto João a marcar o golo da vitória já no prolongamento à Académica de Coimbra. Segue-se um segundo lugar no campeonato na época 1971/72 (ano de ouro para a Margem Sul, em que a CUF termina em 4º lugar e o Barreirense em 8º) e mais dois terceiros nas duas seguintes.

Conhecido pelos dribles imprevisíveis, Jacinto João jogava maioritariamente a partir da esquerda do ataque, tendo representado o Vitória em 302 ocasiões no campeonato e em 38 partidas internacionais (Taça UEFA e Taça das Taças), marcando 71 golos e partilhado balneário com lendas como José Torres e Vitor Baptista (ambos com famosas passagens no Benfica), Duda e Octávio Machado (com passagens no futebol clube do Porto) e Mourinho Félix (pai de José Mourinho. Ainda assim, Jacinto João destaca-se como “o melhor de sempre” ou como ficou imortalizado na sua estátua à porta do estádio: “Quem o viu jogar não esquece, quem não viu, não sabe o que perdeu.”  

Em 1975, Jacinto João termina a sua primeira passagem pelo Vitória, para rumar ao Brasil, onde passa dois anos na Portuguesa, antes de regressar a casa em 76/77, para completar o seu melhor registo goleador numa temporada, 12 golos, e onde passa mais três anos, antes de rumar a Fafe e ao Caldas e pendurar definitivamente as chuteiras em 80/81. Destacam-se ainda 10 internacionalizações por Portugal, onde conseguiu 2 golos.

Jacinto João faleceu tragicamente em 2004, com apenas 60 anos, vítima de um ataque cardíaco, sendo homenageado no ano seguinte, com uma estátua ao lado do Estádio do Bonfim, onde encantou a cidade e o futebol português.  

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