Adriano80

Adriano80

Figura maior da nova trova de Coimbra, Adriano Correia de Oliveira, faria este mês 80 anos.


Para assinalar esta data “redonda”, a Biblioteca Municipal da Baixa da Banheira (BMBB), na Moita tem, até ao dia 25 de Abril, em parceria com o Centro Artístico, Cultural e Desportivo Adriano Correia de Oliveira, uma exposição evocativa deste nome maior da cultura portuguesa.


São 17 apelativos e coloridos painéis (de 1,20 x 0,80m) para além de imagens e sons do vídeo que a acompanha a exposição que aborda os primeiros passos da infância e da juventude.


Constantes, as referências ao empenho do cidadão Adriano nas lutas estudantis no início da década de 1960 e no Portugal de Abril, bem como as dificuldades da vida do Adriano nos anos de resistência e clandestinidade, mostrando a evolução da sua música através do sorver de inspirações trazidas pelo contacto com as populações das diversas regiões do território nacional e do mundo, sinaliza e informa sobre os poetas que cantou, enquanto enquadra o percurso do homem e do artista com as mudanças políticas e históricas que se operaram, ao longo da sua vida, no nosso país.


Com esta exposição ADRIANO80 pretende a BMBB proporcionar aos observadores mais atentos uma informação que tem sido pouco divulgada e também despertar a curiosidade sobre a obra, o humanismo e a generosidade reconhecida por todos os que tiveram a felicidade de conhecer o Adriano.


Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira nasceu na cidade do Porto a 9 de Abril de 1942.


Foi músico, intérprete da Canção de Coimbra e cantor de intervenção.


Depois de concluir os estudos secundários, no Liceu Alexandre Herculano, no Porto, Adriano Correia de Oliveira matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1959. Durante os anos passados em Coimbra, teve uma intensíssima participação no meio cultural e desportivo ligado à academia. Viveu na Real República Ras-Teparta, foi solista no Orfeon Académico, membro do Grupo Universitário de Danças e Cantares, ator no CITAC, guitarrista no conjunto Ligeiro da tuna Académica e jogador de voleibol na Briosa.


Na década de 1960 aderiu ao Partido Comunista Português, envolvendo-se nas greves académicas de 62, contra o salazarismo.


Nesse mesmo ano foi candidato à Associação Académica de Coimbra, numa lista apoiada pelo MUD.
O ano de 1963 traz consigo o primeiro EP, Fados de Coimbra. Acompanhado por António Portugal e Rui Pato, o álbum continha a interpretação de Trova do vento que passa, poema de Manuel Alegre, que se tornaria uma espécie de hino da resistência dos estudantes à ditadura.


Em 1967 gravou o álbum Adriano Correia de Oliveira, que, entre outras canções, tinha Canção com Lágrimas.
O Canto e as Armas, revelando, de novo, vários poemas de Manuel Alegre.


Pela sua obra recebe, no mesmo ano, o Prémio Pozal Domingues.


Lançou Cantaremos, em 1970, e Gente d’aqui e de agora, em 1971, este último com o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, e composição de José Niza.


Em 1975 lançou Que nunca mais, onde se inclui o tema Tejo que levas as águas.


A revista inglesa Music Week elegeu-o Artista do Ano.


Em 1980 lançaria o seu último álbum, Cantigas Portuguesas, ingressando no ano seguinte na Cooperativa Era Nova.


O Centro Artístico Cultural e Desportivo Adriano Correia de Oliveira espera que este seja mais um contributo para lutar contra o esquecimento e o silêncio a que inexplicavelmente tem sido votado tão importante vulto da nossa cultura.

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