Em 2025, o margemsul.com acompanhou a Web Summit com o olhar voltado para as pessoas da nossa região. Entre tecnologia, criatividade, empreendedorismo e encontros presenciais, encontrámos histórias que merecem continuar a ser ouvidas.
Um ano depois, regressamos às conversas. Às pessoas que entrevistámos, aos percursos que partilharam connosco e às questões que deixaram em aberto. A nossa passagem pela Web Summit 2025 tinha um propósito claro: acompanhar empresas, negócios e empreendedores do distrito de Setúbal e dar a conhecer as suas histórias. Num evento de dimensão internacional, interessava-nos perceber quem levava consigo um pedaço desta margem.
É também esse o papel de um meio de comunicação regional: reconhecer a sua comunidade nos lugares onde ela trabalha, cria e participa. A proximidade faz-se seguindo as pessoas, mesmo quando as encontramos do outro lado do rio. E estas seis conversas deram-nos diferentes formas de olhar para a relação entre a Margem Sul e o futuro.
Jessica Fontana: pertencer também é escolher um lugar
Jessica Fontana trouxe à nossa cobertura uma história de pertença construída por escolha. Italiana, vivia em Portugal há seis anos à data da entrevista e tinha escolhido a Margem Sul para morar: primeiro Almada, depois Alcochete. Com uma startup de impacto e um percurso ligado à liderança de comunidades, mostrou-nos uma das muitas formas de fazer parte deste território.
A sua história convida-nos a pensar numa região que também se constrói com quem chega. Pessoas que trazem experiências, criam relações e escolhem fazer aqui a sua vida. Para um jornal que procura contar a Margem Sul, reconhecer esses percursos é reconhecer a própria comunidade.
Rui Santos: um percurso com raízes em Almada
Na conversa com Rui Santos, da Beltrão Coelho, encontrámos uma ligação a Almada que atravessava o seu percurso: foi ali que nasceu, cresceu e estudou. A presença de um profissional de uma empresa tecnológica tornou visível uma relação que merece maior atenção editorial: a ligação entre os lugares onde nos formamos e os contextos profissionais onde depois participamos.
Dar espaço a estas histórias ajuda-nos a conhecer melhor o talento da região. Há pessoas cuja ligação à Margem Sul passa despercebida quando se fala apenas das empresas que representam. A nossa cobertura procurou tornar essa ligação visível.
Carla Escada: o conhecimento interessa a todas as profissões
Com Carla Escada, orientadora parental, a conversa partiu de uma pergunta que podia surpreender: o que leva uma profissional desta área à Web Summit? A apresentação da entrevista apontava para uma ideia de abertura: o conhecimento pode interessar a pessoas de áreas muito diferentes.
Esse encontro deixou-nos uma reflexão que ultrapassa o evento. As mudanças tecnológicas fazem parte do mundo em que educamos, trabalhamos e nos relacionamos. A participação nessa conversa ganha valor quando inclui profissionais com outras experiências e outras perguntas. A parentalidade também tem lugar nesse debate.
André: crescer, reinventar-se e criar na Margem Sul
André nasceu em Lisboa, mas foi na Margem Sul que cresceu e se reinventou. Fotógrafo e com uma agência de produção de conteúdos, trouxe à nossa cobertura a dimensão criativa de quem transforma um olhar e uma competência num projeto profissional.
O seu percurso recorda-nos que a criatividade também merece espaço quando falamos de empreendedorismo. A fotografia, o vídeo e a produção de conteúdos ajudam pessoas e empresas a comunicar. Contar a história de quem trabalha nestas áreas é dar a conhecer outra parte da atividade económica e cultural da região.
Beatriz: um desafio para este lado do rio
Beatriz, de Almada, residente no Pragal e com estudos no Instituto Piaget, participava pela segunda vez na Web Summit. Deixou um desafio concreto: organizar mais eventos de networking e tecnologia na Margem Sul.
É uma ideia que merece continuidade. Criar oportunidades de encontro na região pode aproximar profissionais, estudantes, empresas e projetos que ainda não se conhecem. O desafio fica para quem organiza, para quem pode disponibilizar espaços e para quem tem vontade de participar. Enquanto meio de comunicação, cabe-nos também dar visibilidade a essas iniciativas e acompanhar o que delas nasce.
José Próspero: o valor de estar presente
José Próspero, que já conhecia a Web Summit de outras participações, destacou o valor do contacto presencial. Num encontro dedicado à tecnologia, essa valorização da presença merece atenção.
Há disponibilidade, confiança e entendimento que se constroem numa conversa cara a cara. Para nós, esta ideia liga-se à própria experiência de reportagem: chegar perto, fazer perguntas e dar espaço à resposta continua a ser essencial para contar uma história com contexto.
O que queremos continuar a contar
Ao revisitar esta cobertura, encontramos percursos diferentes unidos pela relação com a nossa região. Encontramos também perguntas que continuam a fazer sentido: como dar maior visibilidade a quem aqui cria? Como aproximar pessoas de áreas distintas? Como transformar a vontade de participar em oportunidades mais próximas de casa?
A experiência da Web Summit 2025 reforça a importância de acompanharmos estas histórias para além do momento da entrevista. Conhecer uma pessoa ou um projeto deve ser o início de uma atenção continuada ao seu trabalho, às suas dificuldades e ao caminho que vai fazendo.
A Margem Sul tem pessoas com ideias, experiência e vontade de construir. O nosso trabalho é procurá-las, ouvi-las e fazer com que as suas histórias cheguem mais longe.
Foi esse olhar que levámos à Web Summit. É esse olhar que queremos continuar a trazer aos nossos leitores.
