Associação cultural nascida em Almada em risco de perder o espaço

A associação cultural Arroz Estúdios perde o espaço onde, ao longo de quatro anos, contribuiu para a mudança do panorama cultural lisboeta, apoiando e recebendo dezenas de artistas e angariaram mais de uma centena de milhares de euros para projetos de inclusão social. À procura de um novo espaço, a associação promete não desistir da sua missão.

A associação cultural sem fins lucrativos Arroz Estúdios, que conta com mais de 70 mil membros desde a sua criação, está em vias de perder o seu espaço, na Avenida Infante D. Henrique, no Beato. Criada em 2018 em Cacilhas, a associação mudou-se no final de 2019 para o atual local, onde durante quase quatro anos transformou um espaço industrial abandonado num polo de cultura e inovação, apesar da pandemia, dando um porto de abrigo para artistas e criadores sediados em Lisboa desenvolverem os seus projetos.

Com um espaço de quase 1200 m2, renovado pela associação, metade do qual ao ar livre, a associação integra 12 estúdios de trabalho para artistas, um espaço de concertos com 600m2, uma horta vertical e uma pizzaria, sempre com uma programação variada, com cinema ao ar livre, exposições, jams ao vivo, mercados, concertos e eventos de música eletrónica. 

A decisão de venda do espaço que arrendam deixou sem alternativa a associação que dá atualmente espaço a 85 artistas e projetos residentes, nacionais e internacionais, tendo criado 35 postos de trabalho, feito quase 900 eventos e exposições e angariado 124 mil euros para projetos de inclusão social ao longo destes quatro anos. A associação é também líder na interseção entre tecnologia e arte, através da web 3.0, NFT e criptomoedas.

«As associações culturais são mais do que apenas espaços, são incubadoras de criatividade, catalisadores de mudanças sociais, políticas e culturais e as plataformas que permitem a expressão de diversos artistas. Cada vez há mais associações a ficar sem espaço ou a ter de fechar portas e Lisboa está a ficar cada vez mais uma cidade descaracterizada e gentrificada.», diz Cátia Ciriaco, Studio & Residency Manager do Arroz Estúdios.

São várias as associações na Grande Lisboa que se encontram em situações semelhantes, como o Largo Residências, a Casa Independente, a Sirigaita, o Mercado dos Anjos 70, a Zona Franca, a SMOP ou a Fábrica de Alternativas, todas à beira de perder o espaço onde operam, seja por aumentos de renda, final de contrato ou venda do espaço. 

«É urgente alertar para esta situação. O preço do metro quadrado na Grande Lisboa está proibitivo para este tipo de associações conseguirem encontrar espaços. Não só estamos a tirar espaço a artistas que de outra forma não terão onde desenvolver e expor o seu trabalho, mas, cada vez mais, a afastar a cultura e a identidade da própria cidade do seu centro.» continua a Cátia Ciríaco. 

Com o intuito de encontrar um espaço em tempo útil, o Arroz Estúdios lançou uma petição online, para que a Câmara Municipal de Lisboa e concelhos circundantes os ajude a encontrar uma alternativa, que pode ser acedida através deste link.

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