Greve: a Liberdade escreve-se com Jornalismo.

Diversos órgãos de comunicação social de referência em Portugal, estão em greve e com a produção informativa severamente limitada. É a primeira greve do género desde 1982, ou seja mais de 40 anos depois da de 1982.

O dia da greve foi marcado por uma concentração de jornalistas em Coimbra, pelas 9h. Na Invicta na praça Humberto Delgado, pelas 12h, tendo o mesmo acontecido à mesma hora em Ponta Delgada. Na capital, a concentração teve lugar no Largo de Camões ao fim da tarde, onde se fez um apelo à sociedade civil para que estivesse presente. 

O presidente do Sindicato dos Jornalistas (SJ) afirmou esperar uma “adesão muito forte” à greve convocada que teve como razão de ser um abrangente protesto contra a precariedade, mas também “um grito de alerta” para apoiar o jornalismo antes que seja “tarde demais”.

A leitura do caderno bem como um olhar atento a queixas e comportamentos de há muito, permitem compreender na totalidade o que move tantos jornalistas a este dia raro de greve e de fortes perturbações dos serviços noticiosos.

Assim “a insegurança no emprego, a par com os salários baixos praticados no setor, é um grave obstáculo ao desenvolvimento pleno da profissão de jornalista. É um entrave ao próprio direito dos cidadãos de serem informados livremente”, pode ler-se no site do Sindicato dos Jornalistas antes do elencar das reivindicações destes.

Apontam-se também as más práticas laborais, há muito enraizadas, em diversos órgãos de comunicação social e que marcam de forma constante o processo de produção informativa.

As exigências plasmadas no extenso caderno reivindicativo contemplam:

  • aumentos salariais em 2024 superiores à inflação acumulada desde 2022 e a melhoria substancial da remuneração dos freelancers; 
  • a garantia de um salário digno à entrada na profissão e de progressão regular na carreira; 
  • o pagamento de complementos por penosidade, trabalho por turnos e isenção de horário; 
  • a remuneração por horas extraordinárias, trabalho noturno, e em fins de semana e feriados; 
  • o fim da precariedade generalizada e fraudulenta no sector, pelo recurso abusivo a recibos verdes e contratos a termo; 
  • o cumprimento escrupuloso das leis do Código de Trabalho, incluindo a garantia do equipamento técnico necessário, em particular para a captação de imagem e som; 
  • o cumprimento escrupuloso do Contrato Coletivo de Trabalho da imprensa e a generalização da contratação coletiva para o setor audiovisual e da rádio; 
  • a justa remuneração de quem cumpre o estágio obrigatório para o acesso à profissão; 
  • condições humanas e materiais para a produção noticiosa, cumprindo princípios éticos e deontológicos;
  •  a intervenção do Estado na garantia da sustentabilidade financeira do jornalismo; 
  • a revisão das estruturas regulatórias da comunicação social e do jornalismo, garantindo a sua atualização e capacidade para salvaguardar a qualidade da informação.

    A Democracia passa por um jornalismo livre.
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