O Álbum “2 de Abril” da Garota Não Vence o Prémio Autores 2023

A cantora e compositora setubalense, Cátia Mazari Oliveira, mais conhecida como “A Garota Não”, ganhou o prestigiado Prémio Autores 2023 na categoria de Música pelo seu álbum “2 de Abril”. Este álbum é uma homenagem ao bairro de Setúbal com o mesmo nome, onde a cantora viveu até aos 26 anos. Com uma abordagem musicalmente marcada pela multiculturalidade que caracterizava o local, “A Garota Não” apresenta um olhar para o passado e uma mensagem de inconformismo através das 20 canções que compõem o álbum.

A História do Álbum “2 de Abril”

O álbum “2 de Abril” é uma expressão artística poderosa e pessoal que reflete as experiências e influências musicais que “A Garota Não” viveu no bairro de Setúbal. Antes de se apresentar como “A Garota Não”, Cátia Mazari Oliveira já escrevia as suas próprias músicas, embora não as mostrasse ao público. O seu percurso musical começou com apresentações de jazz e bossa nova em adegas, bares e hotéis.

Foi nessa fase que surgiu o nome artístico “A Garota Não”. Quando pediam que ela cantasse a famosa canção “Garota de Ipanema”, Cátia sentia que não tinha nada novo a acrescentar ao tema, já que era uma das músicas mais tocadas no mundo inteiro, com inúmeras versões. Foi então que ela decidiu dizer “não” e criar a sua própria identidade musical.

A Identidade de “A Garota Não”

“A Garota Não” tem um compromisso e uma responsabilidade consigo mesma de escrever sobre aquilo que sente. As suas músicas abordam temas diversos, desde o amor até questões sociais e políticas. Expressa a sua identidade através de uma observação que parte do coração, transmitindo as suas emoções e experiências de forma autêntica. Nas suas composições, aborda assuntos como a tragédia do Mediterrâneo, a gentrificação de Setúbal e a faceta ativista do artista chinês Ai Wei Wei.

“A Garota Não” não se enquadra no tradicional conceito de música de intervenção, que teve o seu auge nas décadas de 1960 e 1970. Ela associa a sua música ao inconformismo, não vivendo bem com as injustiças e problemas que afetam o mundo. A sua música é um convite para que todos se deixem tocar pelo amargo e pelo doce da vida dos outros.

A Multiculturalidade de “2 de Abril”

O bairro de Setúbal, onde “A Garota Não” viveu, era um território multicultural, e isso reflete-se no seu álbum “2 de Abril”. Nele recorda o prédio onde morava com a família como um lugar onde diferentes culturas se encontravam. No piso térreo, havia uma família cigana, no primeiro andar uma família angolana e, acima deles, uma família que ouvia música eletrónica. O seu pai, por sua vez, ouvia artistas como Rui Veloso, Bob Dylan, Joan Baez e Zeca Afonso.

Estas influências musicais diversas permeiam o álbum “2 de Abril”. “A Garota Não” faz questão de trazer um pouco de cada uma dessas linguagens musicais para as suas composições, seja nos arranjos, na produção ou na forma como as músicas são apresentadas. Embora seja um trabalho solo, o álbum conta com a participação de vários convidados, como a cantora Ana Deus, o rapper Chullage e o baterista Fred Pinto Ferreira.

Reconhecimento e Prémios

“A Garota Não” tem conquistado reconhecimento e prémios com o seu trabalho. Além de vencer o Prémio Autores 2023 na categoria de Música com o álbum “2 de Abril”, também ganhou um Globo de Ouro como Melhor Intérprete. Estes prémios são o reconhecimento merecido pelo talento e dedicação de “A Garota Não” à música.

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