Acutilantes, sarcásticas, provocadoras, originais, arrojadas e com um cunho político e de intervenção. Estes são apenas alguns dos adjetivos que podemos atribuir às obras da autoria do artista português Bordalo II. O mais recente trabalho, concluído no passado dia 23 de dezembro de 2025 e realizado em conjunto com o projeto Trafaria, encontra-se no edifício da Junta de Freguesia da Trafaria, na Costa da Caparica, no concelho de Almada.
“Aqui terminamos 2025 com um último mural de um peixe-balão, feito na Trafaria, Costa da Caparica, Portugal”, pode ler-se na publicação partilhada na conta oficial de Instagram de Bordalo II.
De acordo com a página da Junta da União das Freguesias de Caparica e Trafaria, que partilhou as várias fases do processo de construção do novo mural, “a obra representa um peixe-balão, espécie invasora do rio Tejo, e surge como um forte alerta visual para as questões ambientais e para a preservação do nosso ecossistema”.
Artur Bordalo nasceu em 1987, em Lisboa. É mais conhecido por Bordalo II, uma homenagem ao avô, o pintor Artur Real Bordalo, o primeiro da família com um percurso ligado ao meio artístico. Nos últimos anos, tornou-se famoso pelas suas esculturas de animais feitas de lixo, alertando para o consumismo e a poluição, através da utilização de materiais descartados para criar obras de arte impactantes que promovem a sustentabilidade e a consciência ambiental.
Iniciou-se no campo do graffiti, estudou Belas-Artes e transformou o lixo em “matéria-prima” para as suas obras, que ganharam reconhecimento mundial, como a série “Big Trash Animals”.
Em 2025, o percurso de Bordalo II ficou marcado por várias intervenções realizadas entre Lisboa e Nova Iorque. A mais recente, em setembro, foi instalada em plena Estátua da Liberdade.
O artista português “brincou” com o facto de a liberdade estar “em desconstrução”. Dias antes, tinha exposto a peça “Governmental Advisory”, em frente à residência oficial do presidente norte-americano, Donald Trump.
Tratava-se de um cartaz colado numa carrinha branca, onde se lia ao centro: “Conteúdo Explícito”. Uma referência que poderá apontar para várias das controvérsias associadas a Trump, desde as acusações de assédio sexual até à tentativa de bloquear a divulgação dos chamados Ficheiros de Epstein.
Em 2024, ano em que assinalaram os 50 anos do 25 de Abril, o artista esteve também no centro de uma polémica, ao colocar uma caixa de medicamentos gigante por cima da campa de António Oliveira Salazar, no cemitério de Santa Comba Dão, no Vimieiro. Na embalagem, intitulada “Liberdade”, podia ler-se que se tratava de um probiótico anti-fascista, uma dose diária que combate a opressão.
