Artigo de André Ferreira, Personal Trainer e Criador do programa Super-Mãe
Especialmente com o advento das redes sociais, o mundo do fitness encheu-se de mitos e falsas promessas. De influenciadores que prometem resultados “garantidos” em tempo recorde, a máximas como o “no pain, no gain” que causam mais dor do que efeitos práticos, cada vez temos mais informação a circular que, por vezes, nos deixa sem saber em que acreditar. Por isso, vamos ver alguns dos mitos mais comuns!
Mito 1: se não ficar dorido, não está a fazer nada
Dor não é sinónimo de progresso.
Sentir dor ou desconforto durante o treino é normal, mas ser constante, não é um objetivo, é um sinal de alerta e pode conduzir a lesões graves.
Após um treino duro, pode sentir-se dor, especialmente no dia seguinte. Mas a dor pode significar várias coisas, que um musculo foi esforçado com mais intensidade ou de forma diferente do habitual, ou simplesmente que o corpo se está a adaptar a um novo estímulo. O que não significa é que o treino foi “melhor” ou que houve mais ganho de força ou volume muscular. A progressão vem da regularidade, não de esforçar até doer.
Mito 2: Suar muito significa que queimamos mais gordura
Suar é um mecanismo de regulação da temperatura corporal. Não perdemos calorias ou gordura através do suor. Treinar com camisolas grossas, para gerar mais suor, a única coisa que nos traz é o risco de colapso devido ao calor.
É verdade que perdemos peso quando suamos, mas isso deve-se à perda de líquidos, e assim que voltemos a hidratar-nos, o peso volta ao que estava.
O que nos faz perder peso é o défice calórico e não acontece num treino isolado!
Mito 3: Abdominais para eliminar a barriga:
É um clássico e um dos mais persistentes. A “perda de gordura localizada” é um mito e dos mais persistentes. Os conhecidos exercícios “abdominais” servem para fortalecer os músculos do core, mas não removem gordura de uma zona específica.
Reduzir a gordura depende do défice calórico, ou seja, da alimentação e da atividade física regular. O abdómen definido constrói-se com o corpo todo, não a fazer abdominais no chão da sala.
Mito 4: Treino de força faz alargar (especialmente nas mulheres):
É um mito que afeta o treino de muitas mulheres, pois ainda é muito comum ouvir alunas a dizer que têm medo de fazer treino de força, pois vão ficar com um corpo que consideram mais “masculino”: ombros largos, braços demasiado musculados e coxas largas.
Ganhar massa muscular requer anos de treino específico, uma alimentação muito estruturada e, em muitos casos, uma genética favorável. Não depende só do treino de força, que é dos mais úteis, pois acelera o metabolismo, melhora a postura, aumenta a densidade óssea e tonifica o corpo. Além disso, há cada vez mais estudos que ligam a longevidade saudável à prática exercícios de força (sobretudo de pernas).
Mito 5: Um bom plano tem resultados rápidos
Um bom plano é aquele que se consegue manter.
Os resultados rápidos costumam vir com dietas restritivas e treinos excessivos, que a médio e longo prazo não são sustentáveis. Normalmente tem um de dois resultados: ou as pessoas perdem peso e acham que está bom, desistindo e voltando ao peso inicial em menos de nada, ou nem sequer chegar a ter uma mudança significativa antes de desistir.
Um bom plano pode demorar mais a produzir resultados, mas é adaptado à pessoa e ao seu estilo de vida, aumentando a probabilidade de ser mantido a médio e a longo prazo. Não se trata só de produzir uma mudança, mas de a conseguirmos manter.
Conclusão: Mais método, menos mitos.
Um estilo de vida saudável não precisa de atalhos ou de promessas irreais e, hoje em dia, isso é o que mais dificulta o progresso, porque estes mitos tornam-se uma fonte de frustração.
O exercício é uma ferramenta de saúde e bem-estar, tanto a nível físico como a nível psicológico e deve ser praticado com método, sem pressas, nem sacrifícios. É necessário fazer o que tem de ser feito, mas com noção da realidade e daquilo que é possível, dentro do estilo de vida de cada um.
Sobre André Ferreira
André Ferreira é personal trainer desde 2011, marido e pai. Criou o programa Super-Mães, pensado para mulheres reais que perderam a confiança e a energia no turbilhão da maternidade. O método é próximo e realista: treinos curtos, nutrição prática e acompanhamento diário, com o objetivo de ajudar mães a voltarem a sentir-se mulheres, com orgulho no espelho, energia para os filhos e presentes a todos os níveis. A meta não é a perfeição, mas o realismo e a sustentabilidade da mudança. Pode seguir o trabalho de André Ferreira no Instagram.
