Corria o ano de 1942 e no dia 10 de abril, história seria feita no Barreiro. O Barreirense recebia o recém-promovido Vitória Sport Clube, da cidade de Guimarães, na 17ª jornada do campeonato da 1ª Divisão portuguesa. Quem foi para “mais um jogo” sairia do Estádio D. Manuel de Mello de saco cheio, tendo testemunhado a maior goleada de uma equipa do Distrito de Setúbal na primeira divisão nacional.
A 1ª divisão do futebol nacional tinha sido alargada nessa época, passando de 8 para 12 equipas, sendo o Vitória uma das equipas recém-chegadas. O Barreirense vinha de um 6º lugar na época anterior, onde o ponto alto tinha sido a vitória ao Benfica por 1-0 em casa.
A 10 de abril disputava-se a 17ª jornada. O Barreirense vinha de uma derrota pesada, por 7-1 com o Sporting de Peyroteo, campeão na época anterior. A época tinha começado bem para o clube, com quatro vitórias nas quatro primeiras jornadas (vencendo inclusivamente o F.C. Porto por 3-1), mas a forma recente da equipa causava alguma apreensão. Já a turma de Guimarães chegava ligeiramente mais motivada, depois de conseguir a sua 4ª vitória da época, frente aos portuenses do Académico FC (4-3).
Ao intervalo, nada fazia prever os contornos do vendaval de golos na segunda parte, com o Barreirense a vencer por 3-1, mas a segunda parte trouxe 8 golos sem resposta da turma da Margem Sul. Em relação aos marcadores houve dois hattricks, apontados por Jorge Gralho e Manuel Rebelo, dois “bis”, por Maximino Campos e Cardoso Pereira e um golo de Raimundo Câmara. O golo vimaranense foi marcado por Alexandre.
O momento do Barreirense não se perderia, vencendo uma semana depois o Académico FC por 8-1, a segunda maior goleada da época, vingando uma derrota por 6-0 na primeira volta do campeonato. Curiosamente, os barreirenses já tinham participado noutro jogo com mais de 10 golos, mas nesse caso de pior memória, pois foi uma derrota por 10-1 em Coimbra frente à Académica.
O Barreirense terminaria essa época em 6º lugar, a 13 pontos do campeão Benfica (na altura a vitória valia apenas 2 pontos) e 58 golos marcados, o que significa que quase 20% dos golos foram marcados nesse único jogo, a maior goleada de um clube do Distrito de Setúbal na primeira divisão nacional.
