Do Barreiro à India – a epopeia de Álvaro Velho

Do Barreiro à India – a epopeia de Álvaro Velho

Dá nome a uma escola no Lavradio e a uma rua no centro do Barreiro, mas quem foi na verdade Álvaro Velho e por que raio dá nome a duas coisas no Barreiro? 

Álvaro Velho (são os dois únicos nomes que se conhecem, mas de certeza que teria um segundo nome digno, porque senão a mãe não tinha como lhe ralhar), nasceu no século XV no Barreiro e não se sabe nada da sua infância. Nem da infância, nem depois dela, pois o “nosso” Álvaro só se torna realmente conhecido no final do século em que nasceu… com que idade? Não se sabe. 

Álvaro tomou parte na expansão marítima portuguesa, fazendo parte da expedição liderada por Vasco da Gama, em 1547, que descobriu um caminho marítimo para a Índia e que mudaria para sempre a história deste pedacinho de terra à beira-mar plantado. Esta nova rota, permitiria que as especiarias fossem transportadas pela Europa por mar, evitando o longo e perigoso caminho por terra que implicava cruzar várias nações/reinos/califados/etc. e pagar tributos a todos os monarcas a quem pediam passagem, encarecendo o preço final das especiarias. 

Álvaro Velho era o cronista responsável por fazer o relato desta viagem e é dele o mais fidedigno documento que se tem, não só da viagem em si, mas dos povos e lugares que foram pela primeira vez avistados por olhos europeus, sendo a sua obra o “Roteiro da Primeira Viagem de Vasco da Gama à Índia (1497-1499)” ainda hoje estudada por historiadores para melhor compreender esse período e tendo sido elevada a Património Memória do Mundo pela UNESCO, em 2013. Atualmente encontra-se conservado na Biblioteca Municipal do Porto. 

A obra que começa com “(…) Na era de 1497 mandou el-rei D. Manuel, o primeiro deste nome em Portugal, a descobrir, quatro navios, os quais iam em busca de especiarias, dos quais navios ia por capitão-mor Vasco da Gama (…). Partimos do Restelo um sábado, que eram oito dias do mês de Julho da dita era de 1497, nosso caminho, que Deus Nosso Senhor deixe acabar em seu serviço. Amém”, é hoje um documento histórico de valor incalculável, que nos permite saber mais daquele que foi um dos maiores feitos de navegação da história e que ajudou a tornar o mundo mais pequeno. Esse relato, devemo-lo a Álvaro Velho, um homem que sem ter sido um protagonista da história, a viveu e a fez chegar aos dias de hoje. 

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