Sabia que Portugal já teve um Rei que veio da Margem Sul? 

Sabia que Portugal já teve um Rei que veio da Margem Sul? 

Corria o ano de 1469 e um surto de Peste Negra assolava Lisboa, levando à fuga de várias famílias proeminentes da capital. O Rei D. João I, mudara-se com a sua família mais próxima para Alcochete, entre os quais se encontrava o seu neto, o Infante Fernando, Duque de Viseu que seria pai de um rapaz, que era filho, do segundo filho, do terceiro filho do Rei… ou seja… seria necessário morrer muita gente, para o jovem Manuel chegar ao trono… esta é a história de D. Manuel I, até chegar ao trono.  

O pai, o Infante Fernando é em si uma personagem curiosa. Segundo filho de D. Duarte I e irmão de Afonso V, Fernando cedo percebeu que o trono não seria dele e resolveu partir para a aventura. Tentou fugir para Nápoles onde o tio materno era Rei sem herdeiros, mas o irmão Afonso V, rei à época, mandou intercetá-lo. Acabaria por combater ao lado do irmão no Norte de África e participar em inúmeras expedições marítimas. A sua fama e carisma eram tais que inspirou o livro Tirant lo Branch (Tirante, o Branco), de Jeanot Martorell, uma das mais importantes obras da literatura catalã e considerado o primeiro romance moderno na história. 

Manuel era filho de primos direitos, mas mal se notava. Viu o seu tio, Afonso V chegar ao trono com o seu pai como herdeiro, até nascer o primeiro filho, João, Príncipe de Portugal, que morreu pouco tempo depois, voltando o pai de D. Manuel, Fernando a ser sucessor. Até nascer outro João (sim…), que acabaria por se tornar D. João II. D. João II morreria sem herdeiros, acredita-se que envenenado. Para lhe suceder, um jovem nascido em Alcochete, seu primo direito e cunhado (irmão da rainha)… depois admiram-se. 

D. Manuel tornava-se assim o primeiro e único monarca de Portugal nascido a Sul do Tejo e o seu reino foi florescente para a nação, impulsionando a expansão marítima, tendo sido descoberto no seu reinado o caminho marítimo para a Índia (1498) e a chegada ao Brasil (1500), estabeleceu tratados comerciais com a Pérsia e a China, convidou vários cientistas importantes para Portugal, conquistou Azamor, Safrim e Agadir no Norte de África, construiu a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos, no tal estilo Manuelino que tanto ouvimos falar na escola. Para conseguir o casamento com Isabel de Aragão, assinou com os reis católicos um pacto que expulsaria os judeus de Portugal, mas quem nunca contemplou genocídio por uma mulher que atire a primeira pedra.  

Nada mau, para um gajo da Margem Sul…

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