Quando a poesia encontra a máquina: Filipe Salgueiro apresenta “Fingidor de Poemas” na Costa da Caparica

Quando a poesia encontra a máquina: Filipe Salgueiro apresenta “Fingidor de Poemas” na Costa da Caparica

O Auditório da Costa da Caparica recebe, entre os dias 7 e 9 de novembro, o novo espetáculo de Filipe Salgueiro, intitulado “O Fingidor de Poemas”. Trata-se de uma proposta que vai além do teatro tradicional, misturando poesia, performance e reflexão sobre a relação entre o humano e a inteligência artificial.

Um palco para o encontro entre arte e tecnologia

O título do espetáculo inspira-se em Fernando Pessoa e na célebre ideia do “poeta fingidor” — aquele que finge tão completamente que acaba por sentir a dor que realmente não tem. Filipe Salgueiro parte dessa premissa para propor uma leitura contemporânea: e se o “fingimento” poético se cruzasse com o mundo digital e a inteligência das máquinas?

“O Fingidor de Poemas” reúne versos de 20 poetas portugueses e constrói uma narrativa visual e emocional que desafia fronteiras. A encenação integra elementos de teatro físico, música e estética japonesa, numa fusão que transforma o palco num espaço de experimentação sensorial. A proposta é, nas palavras do ator, “um convite à reflexão sobre a empatia, a arte e o que nos distingue das máquinas”.

A emoção humana em tempos de algoritmos

Num tempo em que a inteligência artificial domina o debate público, Filipe Salgueiro leva a questão para o território da arte. O espetáculo apresenta-se como um diálogo entre a inteligência artificial e a inteligência emocional, explorando as tensões e afinidades entre ambas.

O ator interpreta múltiplas vozes — humanas e artificiais — e convida o público a participar num jogo de espelhos onde o sentir e o programar se confundem. “O poeta finge, mas sente. A máquina repete, mas não compreende. O teatro serve para expor essa diferença, e talvez, quem sabe, encontrar uma zona comum”, resume o artista.

Um rosto conhecido e uma ligação à Margem Sul

Filipe Salgueiro não é um estranho para o público português. O ator tornou-se conhecido através da televisão — com participações em produções como “Morangos com Açúcar” e “Floribella” —, mas tem vindo a afirmar-se também no teatro, no cinema e na performance. É, além disso, uma figura próxima da comunidade da Costa da Caparica, onde já foi padrinho de uma das marchas locais.

Com este novo trabalho, Salgueiro reforça o seu vínculo à região e traz à Margem Sul uma criação que une tradição e vanguarda, poesia e tecnologia, emoção e reflexão.

Três dias para sentir — e pensar

“O Fingidor de Poemas” sobe ao palco do Auditório da Costa da Caparica nos dias 7, 8 e 9 de novembro — às 21h no dia 7, e às 18h nos dias 8 e 9. Os bilhetes estão disponíveis online e variam entre 15 e 25 euros.

Para quem vive ou frequenta Almada e a Margem Sul, é uma oportunidade rara de ver arte contemporânea em diálogo com a tradição literária portuguesa. Um espetáculo que promete deixar o público entre o assombro e a introspeção, lembrando-nos que, por mais sofisticadas que se tornem as máquinas, continuamos a precisar da arte para compreender o que sentimos.

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